segunda-feira, julho 28, 2008

For the love of...

Alegrem-se aqueles que pensam que o novo acordo ortográfico nos vai penalizar na língua ou na forma de nos exprimir perante o mundo.

Senão vejam: Sempre que falamos com algum estrangeiro, fazemos os possíveis e os impossíveis para falar a língua do referido, e nunca a nossa. Mesmo mal e porcamente lá lançamos umas palavras no dialecto do individuo.
Nunca em tempo algum quisemos manter nada que fosse bom para nós. Veja-se a democracia ou a identidade nacional (não confundir com doença que ofusca a capacidade de reconhecer os outros como iguais.)
Sujeitamo-nos ao ouro de 18 kilates mesmo sabendo que o nosso de 24 é muito melhor.
Negociamos com Angola faz séculos e com tantos protocolos, nunca em tempo algum foi criado um laboratório português para exploração de recursos no referido país.
Os nossos atletas começam a ser seleccionados pelos mesmos padrões das grandes potências, nenhum é de cá. (os meus sinceros parabéns aos que são verdadeiramente apaixonados pelo desporto e que fazem disso a sua vida, contra todas as expectativas) Exclua-se naturalmente daqui o futebol. Mais trabalho eu e não ganho meio décimo do seu ordenado mensal.

Folguem em saber que para ser futebolista não é preciso grande talento, vejam o campeonato nacional é que mais há e sem talentos.

As eólicas é um dos aspectos também a considerar importantes e de muita relevância, isso e as 10 novas barragens que se querem construir, todas elas muito úteis para inundar terrenos, acabar com parques naturais ou áreas protegidas. É para bem de todos, todos os que possuem acções da EDP.

mas chega de conversa, o facto de ser português permite-nos gozar de muitas situações positivas, mas dota-nos de uma capacidade de nos abstrair do que é importante de uma maneira muito particular, dá-nos para ver televisão.

segunda-feira, abril 14, 2008

As fronteiras

Tanto quanto sei, já não escrevia sobre o trabalho faz tempo. Nem sei se alguma vez escrevi. Tipicamente porque não associo trabalho a lazer, nem lazer a trabalho. Trabalho é trabalho, conhaque é conhaque. Mas o que me traz aqui nem por isso deixa de evidenciar algumas misturas e confundir as fronteiras do conhaque. Assim sendo passo a relatar uma pequena história, e não estória que é baseada em factos verídicos e poderia muito bem ter dado um excelente argumento para um filme da série B.

José sempre fez um grande banzé, estardalhaço ou bateu o pé quando lhe tiravam a guloseima da boca. Habituado a estar sempre a roer qualquer coisa doce, já quase não tinha dentes. E os poucos que restavam guardava-os numa gaveta. Certo dia de raios de sol rarefeito, José saiu por seu próprio pé para um passeio matinal, ali bem perto de um hospital. Dizes as más línguas que havia uma suspeita de estar contaminado com uma estranha estirpe virulenta. Uma virosa dizia ele, que lhe fazia o nariz pingar, e a barriga inchar. Sentia-se cada vez mais estranho e parecido com um balão. Decidiu então, fazer a tal visita ao médico.

Sr. Doutor, tenho aqui uma estranha dor, e aumenta e aumenta quando bebo água, quase que rebenta.
Ò Sr. José, chegue-se aqui ao pé, pegue neste copo vá ali atrás das cobertas e solte essa bexiga para que se possa analisar.
Dito e feito, trinta minutos depois José aparece com uma garrafa de litro atestada, e replica pró doutor que estranhamente lhe passou a dor.
Replica o doutor indignado. Não havia de estar inchado, tem-se esquecido de esvaziar.

segunda-feira, março 10, 2008

Por quem sois.

É sempre em tom de regresso que volto a escrever umas palavras neste meu pequeno espelho internetiano. Parece que me revejo quando leio e releio algumas das coisas que escrevi. Sinto que algo está diferente, talvez a essência daquilo que me fazia aparvalhar. Só preciso de um mote, penso que todos já o perceberam. Graças a esse mote, debito sem cessar palavras com nexo ou com anexo, desvairadas ou aparvoadas. Julgo que sim, que para mim, todas fazem sentido. Todas têm uma espécie de clareza quando pegadas a determinada etapa da minha vida. E pede-se a necessidade de não mudar pensamentos e de voltar com aquelas palavras inocentes que na sua simplicidade deixavam pingar um projecto de pessoa, de nabo ou de rabanete. Mas nunca, nunca de nabiça. Por muito boa sopa que faça, não gosto de misturas. Fico assim simples, como o pão com manteiga, que na sua singularidade, é em determinados momentos, o que mais saboroso conseguimos degustar. Desta forma e sempre com o pensamento no que virá, escrevo algo mais uma vez, sem perder a pálida tez daquilo que algum dia me fez sonhar.

E por muito em boa conta que me tenha, consigo sempre ser modesto o suficiente para abrir os braço à cultura, à leitura e à candura, e à minha cabeça dura que sempre dificil de convencer, acaba por aceitar os abraços da terna e doce aprendizagem. É assim que se evolui, não é?

domingo, janeiro 06, 2008

O fascinio daquilo que vejo

Tenho lido muito nos últimos tempos e posso desde já afirmar que é por culpa dessas leituras que me deixo influenciar perdendo sigularidades e capacidades de me tornar alheio a toda a zurrapa que nos aflige diariamente. Fiz um pequeno apanhado da zurrapa que nem de perto me incomoda, mas que torna o sorriso mais timido e mais raro.

Continua a ser a televisão. Gosto de pensar, que alguém refere que uma pessoa tem muitos filhos, é originado pela falta de televisão no seu "tempo", podia efectivamente haver muito mais gente no planete se me fosse garantido que deixariam de ser ver programas que não são feitos por crianças com mais de 10 anos. Reflicto constantemente sobre assuntos que me parecem de importância extrema, mas sou constatemente interrompido pela herança despropositada de algo que nunca se pode ganhar quando nem sequer depende de nós. Por tudo aquilo que é feito em prol do entretenimento, exprimo mais uma vez o meu descontentamento, falta-nos cada vez mais certezas, daquilo que somos, daquilo que gostamos. Só sei quem sou porque os outros mo dizem? humm, quiçá se à imagem daquilo que são os ídolos dos que um dia ficarão com tudo o que fizemos, eu serei um "cota fixolas" um "dread", talvez um "bacano de placa", sem dúvida nenhuma que tudo o que disser vai ser old fashioned ou demodé. Perhaps the lack of culture and the lack of interest in life will turn me into a bad mother fucker.

Nota-se nas minhas palavras uma certa revolta, admito que sim. Que é revolta, mas quando devidamente aplicada, me dá para vender a televisão e parar de embrutecer com o aborrecimento alheio da falta de ideias e criatividade. No fundo, sou só eu que me sinto assim, todos os outros vão na onda. Gosto disso, de me sentir único.

Um crime chamado atalho.

Escrevi inspiradamente sobre aquilo, que passou no ano que findou.
E com um pequeno movimento, criei um grande desalento.
Carreguei nas teclas erradas, e com isto vi belas palavras apagadas.
A revolta de ter este teclado, não me obedece o desvairado.
Voltarei noutra altura a escrever, seja o que for, algo há-de ser.

Criminoso atalho, o meu trabalho foi todo ao agrião.

terça-feira, outubro 23, 2007

Os pasteis de nata e o nó de gravata.

Marchavam animados os pasteis de nata, todos juntinhos, vinham da praia, uns mais queimados do que outros. De toalha às costa, um pouco molhados ainda da marezia, juntaram-se numa roda onde contavam refrescar-se com um pouquinho de canela e um leite fresco. Sentaram-se num café com esplanada e num estrondo enorme apareceu o empregado, o nó de gravata. Vinha com riscas e meio vincado ainda com um alfinete entre as riscas. Vinha visivelmente irritado sem sequer ligar aos pasteis de nata que haviam chegado primeiro dirigiu-se à mesa lá do fundo onde se havia sentado um gordo charuto cubano com um chapéu mexicano que pedia com urgência um copo de algo gelado para apagar as chamas que lhe aqueciam a testa. Indignados com o nó de gravata os pasteis de nata berraram sem cessar durante uns bons 3 segundos, parando imediatamente após a ameaça de trinca por parte do capanga do café. Não desistiram e pediram para chamar o gerente, coisa que não foi atendida. Sentindo-se menos nobres pela forma como foram atendidos no café, resolveram ir para um outro que lhe pudesse oferecer um serviço minimamente decente. Antes de abandonar o café pediram o malfadado livro de reclamações para deixar o seu testemunho registado com o intento de penalizar o dono da espelunca. Pôde-se ler no mesmo manuscrito acalmados os ânimos a seguinte descrição: Após longa espera na esplanada do recinto fomos acusados de perturbar a paz. Eramos 30 depois da discussão ficámos dois. Desconhece-se o paradeiro dos meus companheiros tão doces de nata.

domingo, setembro 16, 2007

A parte de um todo

Por uma parte pequena lutamos e atiramo-nos aos lobos. E se for por um todo? o que faremos nós?
Estou a perder a noção do que é realmente o todo. Perco a noção porque nada importa, nada tem importância para mim e contudo de alguma forma na conversa que se segue consegui filtrar algo de importante:

- Olá, como estás? Como vai a tua vida? há quanto tempo que não falamos. Nunca mais disseste nada. O teu número ainda é o mesmo?
- Eu estou bem e tu? tudo a andar? eu tenho o mesmo número, lembro-me de ti muitas vezes, mas tenho tido tanto trabalho que poucas pausas posso fazer. Mas tu também não tens dito nada. Já tenho saudades daqueles cafés.

Aquilo que foi dito é sem dúvida diferente daquilo que foi pensado. Não temos o todo, porque tudo o que nos interessa é não arranjar tempo para um café ou para um simples telefonema. Importante é não fazer de conta que nos importamos sem nos importar realmente com o que se passa à nossa volta.

segunda-feira, agosto 06, 2007

Fruto da mente, muito doce.

Uma enorme dentada dei e começou a escorrer sumo, brilhantes ideias, fascinantes comentários, tudo para crescer. Deparei-me com limitações e limites. Encontro agora menos barreiras que antes, em pouco mais de dois anos o mundo mudou e girou mais que muito. Preocupo-me agora menos com tudo, perdi mais a capacidade de ser triste, ignoro o que não é doce. Estou guloso, espero que não me caiam os dentes.

Aquilo que li e aquilo que vi.

Faço um pequeno balanço e lanço um grande sorriso quando me leio e releio os comentários de grande companheiros de blog que por aqui passaram ao longo de tanto tempo. Estou a recolher tudo isto para rir no privado. Está aqui a tal alegria de que sempre vos falei, ler o que escrevi e como escrevi, no que me revejo e no que mudei, não tenho mais aquela vontade de despejar, mas o que despejei foi com amor. Volto a retirar-me para o meu próprio interior como muitas outras vezes fiz. Guardo sorrisos e comigo guardo comentários de amigos e conhecidos que por aqui passaram a dar-me força para continuar o que sempre foi a maneira mais criativa de me exprimir. Vou-me dedicar à pesca poderia eu dizer, mas porquê? Se a pesca não me dá para rir e estar alegre com esta vida. Digo-vos com toda a certeza, com nexo ou sem ele estou muito contente por perceber que o que escrevi sempre marcou pela diferença e fez um registo da minha existência na vida de muitos outros humanos. Espero que continuem a partilhar comigo as vossas más disposições, sorrisos e mal-criações. Vou continuar a escrever aqui, ali e noutros mais variados lugares, que seja mais um inicio que um fim. Uma nova etapa de um 2007 que tem sido um dos mais brilhantes anos da minha vida.

quinta-feira, maio 31, 2007

Eventualidades

É um bom dia para escrever, escrever umas palavras e dizer aquilo que me usurpa a tranquilidade de espírito e alma. É um bom dia, é.