sábado, dezembro 30, 2006

Antes que o ano termine.

Antes de mais peço desculpa por esta minha prolongada ausência, que passo a justificar:

Desde o último post tenho vindo a crescer profissionalmente o que me rouba cada vez mais tempo, estive em Madrid durante quatro dias, e quando voltei o trabalho começou a crescer (o que na minha perspectiva é sempre excelente) entretanto as festas estão aqui e tenho-vos a dizer que hoje também vai ser dia de trabalho para mim. Contudo, não vou deixar de escrever, não vou deixar de colocar aqui algumas ideias impuras que me invadem por vezes a mente.

Quero deixar aqui o meu agradecimento a todos os que visitam o impurezas, porque é importante para mim que o façam, que demonstrem a vossa opinião que critiquem, gozem ou aproveitem para me chamar nomes. Desta forma tenho algo que me motiva a voltar e a não me afastar completamente por muito dificil que seja arranjar tempo para tudo.

Acho que aprendi muito este ano de 2006, e acima de tudo conheço-me melhor a cada ano que passa, por isso e porque o meu objectivo é nunca parar de surpreender com contos, histórias, rábulas, frases, observações ou comentários vos digo:

2007 é um ano que promete.
E que eu entre com o pé esquerdo. (sou esquerdino) ;-)
beijos e abraços a todos os devassos. lol

sábado, dezembro 09, 2006

Longe vai tempo.

Longe vai o tempo em que cantar musicas de criança era algo comum. Cantigas como o: Atirei o pau ao gato, Olha a bola Manel ou O ti zé da horta que foi aos agriões. Qual delas a melhor?

Eis que num rasgo de surpreendente saudosismo dei por mim a trautear letras variadas com a musica do atirei o pau ao gato durante toda a semana de trabalho. Ora bem, isto dá pano para mangas, o pau ao gato não era supostamente uma canção violenta, ou que incitasse ao espancamento de gatos, era sim um hino à capacidade de diversão simplista que tinhamos quando eramos crianças.

Resolvi pegar na belissíma letra da musica do Atirei o pau ao gato e corrigi-la para uma versão pós-modernaça a que chamei:

Atirei o pau ao Gato Version 2.0 - The return of the Siamese.

Partindo do principio que não tenho leitores ignorantes neste blog, não vou repetir a letra original.

Atirei aparite ao gato-tu
Mas o gato-tu não correu-rreu
Em vez disso-sso
Fez um armário-rio
Com a madeira, com a madeira
que a gente lhe deu.

Acentado no bidé-é-é
Tomei uma purga-ga
Borrei-me de pé-é
Ou ela chora, ou ela grita
Ou vai-te embora purga maldita.

Para aqueles mais interessados em revisitar os tempos em que o Ti Zé foi aos agriões, sugiro que me deixem uma amostra das vossas versões.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

A catraia de Gaia.

A catraia de Gaia é uma lenda desta época natalícia que está directamente ligada à história dos reis magos.

Numa bela noite, uma estrela narcisista brilhava mais que as outras e apontava como que virtualmente o caminho para Belém. Os três reis magos eram para ser quatro, no entanto por intervenção da catraia essa possibilidade colocou-se de parte. Passo a explicar: A catraia de Gaia era uma miúda empreendedora de tal forma que acho por bem iniciar a gestão de carreiras divinas. Ou seja, passou a oferecer serviços de gestão de milagres, aparições e intervenções divinas em todo o planeta. Logicamente que começou por baixo, e o seu primeiro "cliente" foi precisamente o quarto rei mago, um chinês pequenino de seu nome Sousa Chinenses, este comunicava por estalidos e seria aquele a levar simbolicamente ao menino nas palhas deitado um pote com inteligência. A catraia empreendedora pensou precisamente na simples imagem que iria transmitir o facto de um homem chinês que comunicava por estalidos (assim muito parecido com os golfinhos) levar ao redentor um pote com inteligência. Facto que não seria muito bem aceite pelos turcos. Pensou muito e concluiu que o melhor era dar uma outra direcção ao seu representado Sousa Chinenses e desistiu da ideia de o colocar numa posição ingrata optando pela feitura de uma acção de marketing de cariz mundial de restaurantes hu-á e tá li. Ainda hoje na zona ribeirinha de Belém, se fala na possibilidade de comer pasteis depois de um chau ming de lulas.

Catraia a Imortal sobrevive nos dias de hoje a tentar açambarcar os royalties da aparição na cova de iria (aka Fátima, três pastorinhos, irmã Lúcia, you get the point).

segunda-feira, novembro 27, 2006

O cruel pastel.

O pastel cruel pegou numa folha de papel, e fez um pequeno farnel.
O farnel revoltado de ser mal preparado ficou logo esgazeado.
Tomou como ofensa e correu para dispensa, onde ali encontrou,
Um pacote de leite. Deu-lhe uma tesourada e o leite de enchorrada,
Levou o pastel cruel com a sua folha de papel.

O pastel não sucumbiu e ainda se riu,
Ò farnel, tens frio?
Tanto leite me mandaste, não sabes que pastel e leite é quanto baste?
Assim fico enjoado, pensas ir a algum lado?
E num movimento a preceito saltou do parapeito,
aterrou no patamar onde se foi esborrachar.
O farnel riu de gosto, e a sra pastel de desgosto.
Mas já se sabia, mais cedo ou qualquer dia alguém o comeria.

Problema ou Situação?

Olá meus caros, mais uma vez aqui volto para vos presentear com uma perspectiva diferente daquela que certamente vos é de direito usual.
Lembrei-me por momentos de uma determinada situação, ou problema que por vezes se torna difícil de resolver e resolvi classificar esta mesma sob o ponto de vista de ser um problema ou ser isso mesmo, uma situação:

Cenário primeiro:

É noite cerrada estão perdidos num lugar desconhecido e não existe forma de sair dali, porque além de não haver transportes, não têm telemóvel. (é sem dúvida uma situação, classificada provavelmente como desagradável.) Contornando as evidências e transformando isto num problema; É noite cerrada, estão perdidos num lugar desconhecido, não existe forma de sair dali, não há transportes e não têm telemóvel. Andam uns passos mais à frente e existe uma placa que diz: Cova da Moura.

Cenário segundo:

Dia de natal, tudo muito agradável, a entrega das prendas levanta uma situação; Não há chaminé. (Situação)
Dia de natal, tudo muito agradável, a entrega das prendas na chaminé nova é possível porque fizeram um investimento de cinco mil euros. O pai natal não existe. (Problema)

Cenário terceiro:

Manhãs de sábado, são sempre barulhentas, especialmente quando o vizinho de cima insiste em desrespeitar quem esteve toda a semana a trabalhar. (Situação)
Manhã de sábado, o vizinho decide dar a rave do século. O teu tecto é feito de MDF. Acabam todos a dançar no teu quarto. (Problema)

Cenário quarto:

Estás a subir uma ladeira de grande inclinação na serra. O carro engasga-se e vai abaixo. (Situação)
Estás a descer uma ladeira de grande inclinação na serra. O carro havia-se engasgado e foi abaixo. Estás sem travões e o cabo do travão de mão partiu-se. (Problema)

Basicamente a diferença entre uma situação e um problema está no ponto de vista. E não na possibilidade de conseguir ultrapassar a mesma ou o mesmo.

terça-feira, novembro 21, 2006

No alto da cerejeira.

Olhei de cima para baixo e logo ali vi um cacho.
Arranquei o dito mesmo por baixo, fiz uns brincos e um capacho.
Duas ou três folhas verdinhas a brotar.
Como cerejas a mais até rebentar, não me posso desleixar.
Desci a meio caminho onde tenho a casa na árvore.
Peguei nuns galhos, só me faltava o tapete. Parecia um artesão.
Entrelancei os galhos e com tamanha destreza de mão,
Que escrevi Welcome irmão.
Depois de terminado já a arvore não tinha tensão.
Tinha arrancado os galhos de sustentação.
Meti um pé em falso, bati com a cara no chão.

terça-feira, novembro 14, 2006

Histórias de encantar. Ou não.

Encantem-se os impressionáveis, os astutos e saudáveis que esta é uma história de acção onde tudo o que se faz tem uma repercussão.

Baldou-se certo dia, às aulas a Maria, foi como se diz na gíria, fumar uma broca.
Aqueceu o caramelo e torrou um indicador, tanta, mas tanta dor.
Toma que já almoçaste ò minha miúda inconsciente. Já fumas porcarias, ainda nem tens cara de gente.
Vê lá se vais estudar em vez de te andares a drogar. Maria caroxinha, ainda estás muito verdinha.
Quem és tu para me dizer, o que devo ou não fazer? Perguntou a Maria enervada.
Por acaso sabes quem sou? anda cá que na cara te dou.
Respondi-lhe em tom de gozo: Maria com esse cigarro na mão até tens um ar meloso.
Já muito stressada a Maria, partiu pra violência, isto fruto da falta de paciência.
Rebento-te todo bacano, sem cigarro ò seu mundano.
Sou mundano sim senhor, mas o único caramelo que meto ao buxo não é dessa cor.
Ah se te apanho malandrão que levas um safanão.
Corrias melhor minha amiga se tivesses força na espiga. A fumar assim, não te chegas sequer a mim.
E no fim de contas a Maria percebeu o que reprovava eu. Não era o caramelo em si, mas a ausência escolar. Fuma, fuma minha linda, mas à escola não te deves baldar. Cada um faz o que quer, mas os limites devem ser impostos. Não andemos por aí a fazer pressupostos. Respeitinho é bonito, e eu gosto.

A Maria ficou azeda, deu-lhe uma pancada na tola e voltou prá escola a gritar: Tu até tens certa razão, vou estudar um bocadinho que assim não me largas da mão.

Venci-te pelo cansaço Maria. Bons estudos.

domingo, novembro 12, 2006

Receita contrafeita. Cozinha viva.

Duas da tarde, era minha intenção fazer algo para o almoço, mesmo quando a hora do mesmo já se esvaíu. Abri o frigorifico, depois fui à despensa, por fim fui à prateleira onde a familia guarda todo o tipo de manuscritos, mesmo aqueles impressos mecanicamente com óptimas e menos óptimas receitas. Recolhi uma série de hipoteticamente fazíveis receitas, mas faltava sempre um ou outro ingrediente. Finalmente optei por fazer algo simples, esparguete. Ora, era fácil se tivesse esparguete em casa, mas não era o caso. Optei por falsificar o referido, substituindo-o por macarrão, ou tubarões (aquelas massas que há na prateleira do supermercado, mas que ninguém compra, simplesmente porque são uns tarolos que não servem para nenhum tipo de comida, excepto se tivermos uma boca com 4 centrimetros de diâmetro.) Peguei nos tubarões juntei uns legumes e cortei umas tiras de bife suculento e fresco para o caldo onde já estavam todos os intervenientes da minha "pasta". Durante o processo de cuzedura era suposto tapar a panela, coisas que defino como sendo algo extremamente dificil com tantos tubarões na água. Sob o risco de ficar sem um dedo ou dois, lá consegui à distância tapar a panela. Enquanto o festim continuava dentro da panela, cortei uns quadrados de pão alentejano e fritei-os em azeite, polvilhei com um pouco de pimenta, foi então que ouvi: - Atão, mas atão? Que é lá isso compadri, quer-nos fazer espirrar?
Não liguei aos barulhos e frases que vinham da panela e continuei.
Após uma hora de quanto bastes, pitadas, colheres de sopa, e porções resolvi destapar o tacho para saborear as iguarias culinárias que me havia proposto a preparar. Qual não é o meu espanto quando depois de tanta luta, a massa de tubarões me havia comido os pedaços de bife que tinha colocado ainda ensanguentados na panela. Os quadrados de pão alentejano se tinham trincado uns aos outros, molhando-se em azeite e fazendo derreter o parmesão que lhe havia colocado em cima em detrimento da pimenta. Resultado final, ia comer massa recheada com carne com um crouton gordo.
O que eu não esperava era que o tempo de cuzedura de uma hora tivesse aumentado a massa em dez vezes, fiquei com a cozinha infestada de tubarões e acabei sem almoçar, sendo almoçado.

quinta-feira, novembro 09, 2006

Novidades interessantes sob o meu ponto de vista

Eis que surge o que esperava há muito. Uma oportunidade para publicar uma ínfima parte do meu escrever. Não considero que seja nada de outro mundo ter como objectivo publicar um livro. Ora é verdade meus amigos, não é um livro inteiro meu, mas são umas quantas e modestas páginas que considero interessantes do ponto de vista que defendo. O da não banalização do português enquanto ferramenta de humor.

Pois que será apresentado em Lisboa no próximo dia 18 de Novembro essa pequena colectânea de novos autores onde está incluída a minha pessoa, sob o pseudónimo de Zalberto Rato.
O livro intitula-se: Liberdade condicional e estará disponível pela módica quantia de 10 euros. Lógicamente que seria de esperar que vos transmitisse a ideia que é importante correr e saltar direito à livraria, para adquirir o dito. No entanto da minha parte apenas vos posso recomendar que se gostam do que escrevo e se consideram que é algo que vos interessaria guardar mais próximo da cabeceira. Comprem. Caso contrário não o devem fazer. Eu próprio só o faço quando gosto do que vou ler. Posto isto farei chegar aos interessados os convites para a apresentação do livro. Os interessados por favor deixem o vosso manifesto aqui como comment. Quem não estiver apto a deslocar-se à bela e maravilhosa cidade de Lisboa no dia 18 de Novembro pelas 19:00 ali na Rua dos Bacalhoeiros deixe as suas palavras relativamente à minha escrita. É importante para mim os vossos comentários, dado que o meu objectivo é acima de tudo despertar sorrisos e boa disposição. Manifestem-se os ilustres conhecidos e desconhecidos que visitam este blog que entendo ser uma forma saudável e não violenta de chegar aos vossos lábios e puxar os cantos para trás, mostrando os dentes. Conto convosco, como poderão sempre contar comigo.

quinta-feira, novembro 02, 2006

Fim de tarde. De olhão.

Era tarde quando saí do trabalho. Não esperava contudo que já estivesse tão escuro.
Desci a rua como hábito enquanto a chuva torrêncial me invadia os secos da roupa. Sem noção do tempo, cheguei perto do carro, onde me deparei com um lago que me iria dificultar a vida ao máximo no acto de ir embora. Tinha cerca de vinte ou trinta centimetros de altura e toda aquela água fazia o atlântico parecer um oceano. Esperei sentado até poder sair, e enquanto esperava que secasse tudo, assisti impávido a cenas que decorriam mesmo de frente para o parabrisas.
Uma senhora saiu de casa, com os cabelos despenteados com uma daquelas batas azuis com quadrados que as nossas avós utilizam na cozinha. Vinha a falar sozinha com uma mão atrás das costas e uma outra no bolso. Falava de forma a que o lábio inferior se posicionasse mesmo debaixo do superior, mas desta feita, inclinado para dentro, consequentemente borrifando tudo e todos com volumosos perdigotos. Liguei o limpa párabrisas. De trás das costa a senhora tirou uma pequena caixa de cartão, do bolso tirou a mão e nela tinha uma pequena faca de bifes. Lâmina curta e afiada. Na caixa pelo que percebi vinha fruta. A senhora viu alguém a dobrar a esquina debruçou-se debaixo do meu carro e escondeu a caixa com a fruta e com a faca. Nem reparou em mim, afastou-se a correr e a cuspir para todo o lado. Presumi que talvez a senhora estivesse cansada do trabalho, como eu. Ou possivelmente era maluca. Mas a primeira opção era a mais provavel. Do outro lado da estrada estava um jovem, não teria mais de 45 anos, aparentava se muito uns 15 ou 16. Este ruminava uma pastilha já transformada em borracha de tantas horas mastigada. Sem dúvida que não tinha sabor e dadas as horas de ruminância, o cuspe já era produzido em larga escala para compensar a secura da boca. Por fim tentou fazer balão, mas sem força nos maxilares acabou por desistir engolindo a pastilha. À porta da tasca um cavalheiro fazia sinal ao barmam popular para aviar mais um caneco de tinto cheio. Pelo seu ar rosado dava para perceber que tinha chegado mesmo agora.
Depois de alguns minutos de observação concluí o seguinte:
- A fruta na caixa era manga do equador. A faca tinha cabo de plástico. A marca do avental era Veste Bem. A senhora calçava o trinta e sete.
- O rapaz da pastilha tinha peúgas lassie. A pastilha foi de morango. Usava lentes de contacto. E a sua mãe já tinha o jantar pronto. Ia comer frango.
- O senhor morava em Alverca. Tinha uma pastilha de morango na sola do sapato esquerdo. O vinho era de pacote. E o copo tinha sido lavado à máquina de lavar roupa.

Finalmente a água baixou, depois de uma hora a remover troncos arrastados pela brisa consegui tirar o carro só com uma mão.