Ah ele é de facto uma pessoa especial. Mas quando me enerva. Valha-me nossa senhora, fico fora de mim. Até que ele vem e dá uma ajuda, entro novamente em mim e fica tudo bem.
Mas é um bom pai de filhos. Dois dos seus oitenta e cinco filhos dizem que sim. Portanto eu acredito. Nunca deixou nenhum passar fome, o que vale é que eles são todos pequenos e um feijão frade basta por refeição. Mas eu gosto muito do meu Paixão, todos os dias transmite-me muito carinho, muito amor e muita satisfação, até que eu desligo o rádio-amador. Ao fim da tarde, é tão giro, chega a casa depois daquele trabalho agitado que é ser segurança de armazém de arquivos antigos de último recurso. Vem com um ar cansado e bebe sempre um chá de ervas, a minha vizinha Jesuína diz que a beladona faz melhor, todos os que bebem vão desta pra melhor. É, ele é um bom marido, menos quando está sem vontade de ajudar cá em casa. Peço-lhe sempre para me ajudar, e é tão gratificante quando ele levanta o pé para eu aspirar tudo. Por isso é que casei com ele, é um grande coração. O meu Paixão, não sei o que faria sem ele. Felizmente que estava cá em casa quando apareceu aquele senhor da Santa Casa com uma conversa de prémio e viagem de volta ao mundo. O senhor foi corrido pelo meu Paixão, vejam lá que o levou pelos colarinhos até ao café. Devem ter andado muito tempo à luta, o meu paixão apareceu muito escuro e com os olhos vermelhos, duas semanas depois.
domingo, outubro 29, 2006
Modern times.
Como quem diz: Tempos modernos.
É uma frase muito utilizada pelos antigos, ou os jovens de antigamente. Nas mais estranhas situações aplica-se a expressão: Há filha, os tempos hoje são outros.
Aqui se seguem alguns exemplos de utilização dessa expressão. Imaginem sempre duas senhoras idosas a proferir as sábias palavras no final de cada situação.
Primeira situação: Rapaz encontra-se com a namorada no meio da rua mesmo em frente à igreja e espeta-lhe um daqueles beijos com nome de peixe.
Agora entram as senhoras: Há filha, os tempos hoje são outros.
Segunda situação: Um senhor no talho pede carne picada e através da montra duas senhoras vêm o homem do talho a puxar prá loja um gato.
As duas senhoras: Há filha, os tempos hoje são outros.
Terceira situação: Duas criancinhas atravessam a rua sem olhar para os dois lados da passadeira, vem lá um camião que para evitar as criancinhas esbarra com um poste de alta tensão que tomba sobre um aviário. Passados dez minutos os chineses abrem um restaurante de frango frito.
As senhoras: Há filha, os tempos hoje são outros.
Quarta situação: Uma miuda corre na praia com um excelente bikini que seria de deixar qualquer um KO, de repente tira tudo e fica como veio ao mundo. Passa por um cartaz que diz praia do Meco.
- Há filha, os tempos hoje são outros.
O que estavam as senhoras a fazer no Meco? Há filha, os tempos hoje são outros.
É uma frase muito utilizada pelos antigos, ou os jovens de antigamente. Nas mais estranhas situações aplica-se a expressão: Há filha, os tempos hoje são outros.
Aqui se seguem alguns exemplos de utilização dessa expressão. Imaginem sempre duas senhoras idosas a proferir as sábias palavras no final de cada situação.
Primeira situação: Rapaz encontra-se com a namorada no meio da rua mesmo em frente à igreja e espeta-lhe um daqueles beijos com nome de peixe.
Agora entram as senhoras: Há filha, os tempos hoje são outros.
Segunda situação: Um senhor no talho pede carne picada e através da montra duas senhoras vêm o homem do talho a puxar prá loja um gato.
As duas senhoras: Há filha, os tempos hoje são outros.
Terceira situação: Duas criancinhas atravessam a rua sem olhar para os dois lados da passadeira, vem lá um camião que para evitar as criancinhas esbarra com um poste de alta tensão que tomba sobre um aviário. Passados dez minutos os chineses abrem um restaurante de frango frito.
As senhoras: Há filha, os tempos hoje são outros.
Quarta situação: Uma miuda corre na praia com um excelente bikini que seria de deixar qualquer um KO, de repente tira tudo e fica como veio ao mundo. Passa por um cartaz que diz praia do Meco.
- Há filha, os tempos hoje são outros.
O que estavam as senhoras a fazer no Meco? Há filha, os tempos hoje são outros.
terça-feira, outubro 24, 2006
Às tantas na terreola.
Era já noite escura. Era breu, portanto. Quando se ouvia o piar da coruja, e os ratos nos celeiro a transportar o trigo para as tocas.
Uma velhinha muito velha fazia a última ronda pela aldeia, uma daquelas onde ainda os candeeiros de rua eram a petroleo. Esta velhinha tinha a tarefa de os acender. A sua última ronda como a de todas as noites consistia em verificar se todas as luzernas se encontravam acesas. Certa noite, com o pano de fundo das corujas e dos ratos a velhinha viu que um dos pitromax não parava de piscar. Ora apagava ora acendia. O que é virtualmente impossivel com a chama de um pavio a arder com petroleo. Estranho no mínimo. Como idosa desconfiada, e experiente, esperou observando ao longe o fenómeno durante alguns minutos. Não tinha nada de sinistro, simplesmente optou por tomar cautela. Inquieta e curiosa, aproximou-se e qual não é a surpresa, mais em estilo de susto, quando um duente amarelo salta do pitromax. Pimba uma faísca e diz: - Sou o Max do pitromax, não há nada de que não seja capax.
A idosa ainda atarantada lançou uma gargalhada - agora é a parte em que me dás três desejos, não?
O Max duende, respondeu prontamente - Não são três não senhora, é um e chega.
A velha não hesitou, esperta que nem um alho e com a experiência do trabalho, disse: - o meu desejo é ter dez desejos.
O Duende que já esperava uma dessas alarveirisses, riu e rapido respondeu: - tem que ser bens materiais, nada de subjectivo e não vale ampliar os desejos.
A velhota desiludida respondeu atrevida: - Um duende, espertalhão, faz-me jovem, então.
E o duende animado deu duas voltas no ar e puff, desapareceu sem deixar rasto. A velha que já não era velha ficou ultra-contente. E foi para casa festejar. Mas tinha responsabilidades e a aldeia ficou às escuras. Durante uma semana seguida a nova recém-promovida fez do bom e do bonito, curtiu e gastou guito. Chegou certa noite à aldeia onde tudo era escuro agora, foi assaltada pelo caminho, e fizeram-lhe sabe-se lá o quê, tudo isto no escurinho da noite. Não havia pitromax, e tudo era diferente. A nova ficou uma pessoa mudada e agora amedrontada ficou em casa trancada. Quando saiu à rua sem medo, já havia um mês de noite escura e os lobos haviam tomado conta da aldeia. Nessa noite o coelho foi ela.
Moral da história, se te transformarem em nova, vem para a cidade ou compra uma lanterna. O pitromax só dá transtornos.
Uma velhinha muito velha fazia a última ronda pela aldeia, uma daquelas onde ainda os candeeiros de rua eram a petroleo. Esta velhinha tinha a tarefa de os acender. A sua última ronda como a de todas as noites consistia em verificar se todas as luzernas se encontravam acesas. Certa noite, com o pano de fundo das corujas e dos ratos a velhinha viu que um dos pitromax não parava de piscar. Ora apagava ora acendia. O que é virtualmente impossivel com a chama de um pavio a arder com petroleo. Estranho no mínimo. Como idosa desconfiada, e experiente, esperou observando ao longe o fenómeno durante alguns minutos. Não tinha nada de sinistro, simplesmente optou por tomar cautela. Inquieta e curiosa, aproximou-se e qual não é a surpresa, mais em estilo de susto, quando um duente amarelo salta do pitromax. Pimba uma faísca e diz: - Sou o Max do pitromax, não há nada de que não seja capax.
A idosa ainda atarantada lançou uma gargalhada - agora é a parte em que me dás três desejos, não?
O Max duende, respondeu prontamente - Não são três não senhora, é um e chega.
A velha não hesitou, esperta que nem um alho e com a experiência do trabalho, disse: - o meu desejo é ter dez desejos.
O Duende que já esperava uma dessas alarveirisses, riu e rapido respondeu: - tem que ser bens materiais, nada de subjectivo e não vale ampliar os desejos.
A velhota desiludida respondeu atrevida: - Um duende, espertalhão, faz-me jovem, então.
E o duende animado deu duas voltas no ar e puff, desapareceu sem deixar rasto. A velha que já não era velha ficou ultra-contente. E foi para casa festejar. Mas tinha responsabilidades e a aldeia ficou às escuras. Durante uma semana seguida a nova recém-promovida fez do bom e do bonito, curtiu e gastou guito. Chegou certa noite à aldeia onde tudo era escuro agora, foi assaltada pelo caminho, e fizeram-lhe sabe-se lá o quê, tudo isto no escurinho da noite. Não havia pitromax, e tudo era diferente. A nova ficou uma pessoa mudada e agora amedrontada ficou em casa trancada. Quando saiu à rua sem medo, já havia um mês de noite escura e os lobos haviam tomado conta da aldeia. Nessa noite o coelho foi ela.
Moral da história, se te transformarem em nova, vem para a cidade ou compra uma lanterna. O pitromax só dá transtornos.
sábado, outubro 21, 2006
Cantigas de Novembro.
Ò Outono do abono, trouxeste chuva e orvalho,
Trouxeste o frio ao nosso trabalho.
Com as folhas a cair, deixamos todos de rir,
Porque o gelo está de fugir.
E esperam-se inundações, grandes nuvens e trovões,
Ainda bem, que estou preparado, trouxe os belos calções.
Numa destas tardes chuvosas, estava um vento violento,
Virou-se-me o chapéu-de-chuva tive que me meter pra dentro.
Finalmente a chuva parou, olhei pró céu irritado
Será que o JC se cansou? Ou estará meio derreado?
Foi nesse momento repentino, e sem qualquer aviso,
Que um raio matutino me deu cabo do juízo.
Segui assado como um varrasco,
Cheirando a esturricado e a churrasco.
O São Pedro meio surpreso, desceu assustado,
A contrapeso e deu uma trinca no esturricado.
Mas a súbita refeição não lhe cheirou,
Preferia uma pita e uma canção que a mãe lhe cantou.
Já satisfeito o santinho e no descanso mansinho,
Lançou assim de fininho um arroto bem fraquinho.
Foi então que o pai natal, atiçou as suas renas,
Já me cheira mal e tal, toma lá com as pequenas.
O São Pedro abancou, mas nem tão pouco gostou,
Todo lambão furtou as renas e desandou,
Ainda hoje não aparece, e todos sabem de cor,
Que a chuva que cai forte é da rega do seu aspersor.
Trouxeste o frio ao nosso trabalho.
Com as folhas a cair, deixamos todos de rir,
Porque o gelo está de fugir.
E esperam-se inundações, grandes nuvens e trovões,
Ainda bem, que estou preparado, trouxe os belos calções.
Numa destas tardes chuvosas, estava um vento violento,
Virou-se-me o chapéu-de-chuva tive que me meter pra dentro.
Finalmente a chuva parou, olhei pró céu irritado
Será que o JC se cansou? Ou estará meio derreado?
Foi nesse momento repentino, e sem qualquer aviso,
Que um raio matutino me deu cabo do juízo.
Segui assado como um varrasco,
Cheirando a esturricado e a churrasco.
O São Pedro meio surpreso, desceu assustado,
A contrapeso e deu uma trinca no esturricado.
Mas a súbita refeição não lhe cheirou,
Preferia uma pita e uma canção que a mãe lhe cantou.
Já satisfeito o santinho e no descanso mansinho,
Lançou assim de fininho um arroto bem fraquinho.
Foi então que o pai natal, atiçou as suas renas,
Já me cheira mal e tal, toma lá com as pequenas.
O São Pedro abancou, mas nem tão pouco gostou,
Todo lambão furtou as renas e desandou,
Ainda hoje não aparece, e todos sabem de cor,
Que a chuva que cai forte é da rega do seu aspersor.
sexta-feira, outubro 20, 2006
O estranho dialecto.
Meus amigos, a minha alma está parva. Mas no fundo agradecida pelo facto de haver pessoas preocupadas com as falhas de comunicação.
Refiro-me ao recentemente criado dicionário de Pitez - Português. Longe de ser algo brilhante, é acima de tudo algo útil, útil no sentido em que escrever na net já não é o que era e de facto para pessoas como eu, comunicar com pitas na internet, pode revelar-se um desafio incrivelmente surpreendente. A titulo de exemplo indico algumas das 1341 entradas deste dicionário que foca aspectos muito importantes deste dialecto em crescente expansão, o pitez:
okuletax - óculos
xapu - estalada
bouah - boa
ptgx - português
maliaxinhaxitahzitah - Maria
keijuh - queijo
Komentariux - comentários
xikupa - desculpa
xkonde-x - esconde-se
phuphu - fofo
nanar ou mimir - dormir
kao - cão
Adiante que assim não se aprende nada. Numa tentativa frustrada de escrever assim, vejo-me num futuro não muito distante, ser obrigado a traduzir aquilo que digo para as chamadas pitas.
Esta é a minha mensagem para vós, ò brilhantes almas abaixo dos 18 que brindam a nossa audição com disparates em catadupa:
ulax, kmg inda podx tentar falr. Ms xtou xertu q vamx ser felixes xpyh q tibehrem dyh boka xeia dyh ahrrouhx. Rialmenty ax pexoas xo fawam mali.
Bem, aos que utilizam abreviaturas e reduções constantes de palavras quando escrevem na net, por favor não se enquadrem no dialecto pitez, existem uma série de requisitos não muito abonatórios para falar este dialecto.
Quem não compreendeu o que está escrito acima, efectue por favor a tradução do mesmo no link: http://pitez.ptservers.org/mostradb.php
Refiro-me ao recentemente criado dicionário de Pitez - Português. Longe de ser algo brilhante, é acima de tudo algo útil, útil no sentido em que escrever na net já não é o que era e de facto para pessoas como eu, comunicar com pitas na internet, pode revelar-se um desafio incrivelmente surpreendente. A titulo de exemplo indico algumas das 1341 entradas deste dicionário que foca aspectos muito importantes deste dialecto em crescente expansão, o pitez:
okuletax - óculos
xapu - estalada
bouah - boa
ptgx - português
maliaxinhaxitahzitah - Maria
keijuh - queijo
Komentariux - comentários
xikupa - desculpa
xkonde-x - esconde-se
phuphu - fofo
nanar ou mimir - dormir
kao - cão
Adiante que assim não se aprende nada. Numa tentativa frustrada de escrever assim, vejo-me num futuro não muito distante, ser obrigado a traduzir aquilo que digo para as chamadas pitas.
Esta é a minha mensagem para vós, ò brilhantes almas abaixo dos 18 que brindam a nossa audição com disparates em catadupa:
ulax, kmg inda podx tentar falr. Ms xtou xertu q vamx ser felixes xpyh q tibehrem dyh boka xeia dyh ahrrouhx. Rialmenty ax pexoas xo fawam mali.
Bem, aos que utilizam abreviaturas e reduções constantes de palavras quando escrevem na net, por favor não se enquadrem no dialecto pitez, existem uma série de requisitos não muito abonatórios para falar este dialecto.
Quem não compreendeu o que está escrito acima, efectue por favor a tradução do mesmo no link: http://pitez.ptservers.org/mostradb.php
sexta-feira, outubro 13, 2006
O português do Brasil
Ora que coisa meio estranha. Hoje entrei no blogger para me colocar a par de eventuais actualizações bloguistas e qual não é o meu espanto quando:
Primeiro - O blogger me saúda em Português do Brasil.
Segundo - Me chama de usuário
Terceiro - Não me permite alterar para Português de Portugal, simplesmente porque este não existe como opção.
Quarto - um lugar onde se dorme.
Quinto - Masculino do dia de ontem
e Sexto - O Blogger é um poliglota inculto.
Para discutir esta estranha alocação de recursos tradutores cheguei à maravilhosa conclusão de que os senhores do Blogger, não sabem o que é uma língua oficial. Desconhecem a existência de uma república logo ali no início da Europa. E surpresa das surpresas, nunca comeram queijo da serra. Esta conclusão vem no seguimento da seguinte frase: Esta lista de blogs será exibida apenas no seu perfil de usuário. E: Nome usado para assinar as postagens no blog.
Portanto aqui e agora como usuário de um blog mando-vos postagens de pescada.
Calculando que a minha investigação não iria ser morosa, resolvi apurar a origem deste estranhíssimo linguajar. Nada mais nada menos que: GOOGLE não é cara?
O Google é a fonte para todos os problemas linguísticos aqui descritos. Ora, faço um apelo aos meus amigos portugueses adeptos de bom português, mantenham-se fiéis à boa tradição linguística nacional, e não desçam de patamar na escada da correcção gramatical.
Não quero ferir susceptibilidades de eventuais brasileiros que leiam esta "postagem", mas terão de concordar comigo, não é o sotaque que torna o português do Brasil incorrecto, é a despreocupação com o que se escreve e com o que se diz que o banaliza e o aproxima de uma comunicação tribal. Comparo isto ao calão utilizado em Portugal pelos brilhantes cavalheiros que hoje se distinguem como o nosso futuro. Amigos, conheço histórias em que sob a perspectiva de ter um futuro assim, génios cometeram suicídio. Fazendo um favor a todos nós, comprem por favor uma gramática.
Ressalvo que não sou o supra-sumo do Português, mas é bonito ler algo sem erros, tudo faz mais sentido. ;-)
Primeiro - O blogger me saúda em Português do Brasil.
Segundo - Me chama de usuário
Terceiro - Não me permite alterar para Português de Portugal, simplesmente porque este não existe como opção.
Quarto - um lugar onde se dorme.
Quinto - Masculino do dia de ontem
e Sexto - O Blogger é um poliglota inculto.
Para discutir esta estranha alocação de recursos tradutores cheguei à maravilhosa conclusão de que os senhores do Blogger, não sabem o que é uma língua oficial. Desconhecem a existência de uma república logo ali no início da Europa. E surpresa das surpresas, nunca comeram queijo da serra. Esta conclusão vem no seguimento da seguinte frase: Esta lista de blogs será exibida apenas no seu perfil de usuário. E: Nome usado para assinar as postagens no blog.
Portanto aqui e agora como usuário de um blog mando-vos postagens de pescada.
Calculando que a minha investigação não iria ser morosa, resolvi apurar a origem deste estranhíssimo linguajar. Nada mais nada menos que: GOOGLE não é cara?
O Google é a fonte para todos os problemas linguísticos aqui descritos. Ora, faço um apelo aos meus amigos portugueses adeptos de bom português, mantenham-se fiéis à boa tradição linguística nacional, e não desçam de patamar na escada da correcção gramatical.
Não quero ferir susceptibilidades de eventuais brasileiros que leiam esta "postagem", mas terão de concordar comigo, não é o sotaque que torna o português do Brasil incorrecto, é a despreocupação com o que se escreve e com o que se diz que o banaliza e o aproxima de uma comunicação tribal. Comparo isto ao calão utilizado em Portugal pelos brilhantes cavalheiros que hoje se distinguem como o nosso futuro. Amigos, conheço histórias em que sob a perspectiva de ter um futuro assim, génios cometeram suicídio. Fazendo um favor a todos nós, comprem por favor uma gramática.
Ressalvo que não sou o supra-sumo do Português, mas é bonito ler algo sem erros, tudo faz mais sentido. ;-)
segunda-feira, outubro 09, 2006
Sigunda a miúda indesejada.
Seu nome era Sigunda, chegava sempre antes de todos os outros, mas sempre depois de um dia de descanso. Sempre que nos estávamos a habituar ao descanso, lá vinha a Sigunda para incomodar. Arrastava-nos da cama, pró banco do carro frio que nos ia levar ao emprego (ou trabalho).
A Sigunda até era uma miúda simpática, mas tinha o dom de aparecer sempre nas alturas que não desejávamos. Certa altura Sigunda foi raptada, esta nossa amiga Sigunda, foi simplesmente amarrada, atada, vendada e pra garantir que não falava, amordaçada. Por mexicanos, ou colombianos. Que exigiriam em troca da libertação de Sigunda, 25 milhões de euros, sim porque o dólar já não serve. A Sigunda atormentada, e acorrentada com uma tigela de papas de aveia, tremia como varas verdes, num terramoto. Fizemos tudo por Sigunda, tentámos esquecer que a Sigunda era parte inevitável das nossas vidas, afastámo-nos dela e deixámo-la com os colombianos. Mas findos os primeiros dez meses, a Sigunda fez-nos falta. Foi então que juntámos todos os esforços, para juntar os pedidos trocos e resgatar a indesejada, agora ultra-desejada miúda. Sigunda, que falta nos faz. Pago o resgate, conseguimos recuperar a Sigunda que hoje abraçamos como parte da família, como se nunca mais a fossemos largar.
Porque percebemos que a Sigunda é que nos mantinha acordados, vivos. Era ela que nos quebrava a rotina do descanso. SIGUNDA tu agora és a loucura, todas as semana inicias uma aventura.
A Sigunda até era uma miúda simpática, mas tinha o dom de aparecer sempre nas alturas que não desejávamos. Certa altura Sigunda foi raptada, esta nossa amiga Sigunda, foi simplesmente amarrada, atada, vendada e pra garantir que não falava, amordaçada. Por mexicanos, ou colombianos. Que exigiriam em troca da libertação de Sigunda, 25 milhões de euros, sim porque o dólar já não serve. A Sigunda atormentada, e acorrentada com uma tigela de papas de aveia, tremia como varas verdes, num terramoto. Fizemos tudo por Sigunda, tentámos esquecer que a Sigunda era parte inevitável das nossas vidas, afastámo-nos dela e deixámo-la com os colombianos. Mas findos os primeiros dez meses, a Sigunda fez-nos falta. Foi então que juntámos todos os esforços, para juntar os pedidos trocos e resgatar a indesejada, agora ultra-desejada miúda. Sigunda, que falta nos faz. Pago o resgate, conseguimos recuperar a Sigunda que hoje abraçamos como parte da família, como se nunca mais a fossemos largar.
Porque percebemos que a Sigunda é que nos mantinha acordados, vivos. Era ela que nos quebrava a rotina do descanso. SIGUNDA tu agora és a loucura, todas as semana inicias uma aventura.
sábado, outubro 07, 2006
Contextos
Imaginação? hum! Nem sempre chega. A prova mais flagrante disso é simplesmente este post. Isto de facto tem muitas condicionantes. Por exemplo ontem à noite, ao contrário do que é habitual, não me apeteceu escrever, preferi desenhar, o que é certo é que o desenho saiu bastante interessante.
Claro está, do meu ponto de vista. O vosso ponto de vista é provavelmente diferente, tanto que a esta altura já não deverão estar a ler este post. Por isso para vos tentar um bocadinho a ler isto, vou dizer umas coisas, que provêm claro está da minha ilimitada imaginação.
Imaginem as meias palavras ou a meias frases, tão simples como isto:
- Olha, vamos dar uma... (o que estaria a faltar aqui?) as mentes mais perversas deixariam a frase incompleta, eu concluo: vamos dar uma volta?
- Tu és realmente muito boa... (ah seu impuros) o que estava a pensar era: Tu és realmente muito boa pessoa.
- Brilhante, e agora se for por trás... (enganador, não?) - Brilhante, e agora se for por trás das costas (esta frase contextualiza-se num jogo de basquete).
- Tira as mãos daí que isso cresce... (eheheh, difícil não pensar mal) - Tira as mãos daí que isso cresce, rebenta e aleijas-te (utilizada quando se recomenda uma criança a não colocar as mãos num balão que se está a encher).
- Faz-me outro... (este é clássico) - Faz-me outro favor, traz-me ali os sapatos.
- Queres um doce... (lol) - Queres um doce de amêndoa?
- Deixas-me ofegante... - Deixa-me ofegante com tantos quilómetros.
A perversidade das coisas está nos olhos de quem as lê.
Claro está, do meu ponto de vista. O vosso ponto de vista é provavelmente diferente, tanto que a esta altura já não deverão estar a ler este post. Por isso para vos tentar um bocadinho a ler isto, vou dizer umas coisas, que provêm claro está da minha ilimitada imaginação.
Imaginem as meias palavras ou a meias frases, tão simples como isto:
- Olha, vamos dar uma... (o que estaria a faltar aqui?) as mentes mais perversas deixariam a frase incompleta, eu concluo: vamos dar uma volta?
- Tu és realmente muito boa... (ah seu impuros) o que estava a pensar era: Tu és realmente muito boa pessoa.
- Brilhante, e agora se for por trás... (enganador, não?) - Brilhante, e agora se for por trás das costas (esta frase contextualiza-se num jogo de basquete).
- Tira as mãos daí que isso cresce... (eheheh, difícil não pensar mal) - Tira as mãos daí que isso cresce, rebenta e aleijas-te (utilizada quando se recomenda uma criança a não colocar as mãos num balão que se está a encher).
- Faz-me outro... (este é clássico) - Faz-me outro favor, traz-me ali os sapatos.
- Queres um doce... (lol) - Queres um doce de amêndoa?
- Deixas-me ofegante... - Deixa-me ofegante com tantos quilómetros.
A perversidade das coisas está nos olhos de quem as lê.
terça-feira, outubro 03, 2006
Estive OUT, estou IN. Popias e Azevias.
Por momentos ausentei-me da internet para continuar com a minha vida real. Desta feita deparei-me com a estranheza plena de que cada vez menos recorro a um computador para lazer. Escusado será dizer que isto advém claramente do tipo de trabalho diário que tenho, que no fundo me obriga a vidrar os olhos no dito ecrã. Ora que os olhos vermelhos e inchados cheios de coisas amarelas de caracteristicas resinosas, não me impessam de vos presentear com mais um belo épico from the back of my mind.
A conversa de hoje é muito a ver com nada. E de quem nada falo, nada entenderá do nada que for dito. Portanto dito isto, não digo mais nada. Lol pronto isto teve que sair. Vamos ao que interessa:
Pia, Popia, assim se chamava um jovem bolo alentejano que passava os seus tristes dias a rolar preocupado com as azevias de grão (o seu bolo de eleição). Circulava certo dia pela rua da minha tia, quando viu que podia, mesmo com a luz do dia, dar uma trinca na Azevia, estou a falar do bolo folhado, o mau da fita, que ninguém acredita, mandou fazer uma pita ao monhé ali do lado. Este bolo amarfanhado, de ar cheio e enfadado passava com frequência na rua de vossa excelência a Dona Azevia, e sempre que a via, de noite ou de dia, ficava que nem podia, de olho arregalado. O Popia desconfiado, ficou por ali plantado, com um ar aparvalhado e já um pouco cansado de estar mal sentado, quando viu passar o folhado, a Azevia à janela acendia uma vela, pró mau olhado do folhado que com maldade e um pouco de vaidade proferia ao meio-dia: - um dia destes vou-te comer. E a azevia com medo, ou talvez assustada escondia-se debaixo da almofada. Pouco discreto o folhado com a Popia ali ao lado, deixou passar o palavrão. O Popia revoltado pregou com a sua cadeira nas trombas do ordinarão. - Toma lá que já almoçaste ò alarve.
Responde o folhado - E ainda janto no Algarve.
Popia - Goza lá meu animal, que um dia te darás mal.
O Folhado ainda fofo levantou-se de novo e em vez de comer a Popia de punho fechado. Saltou há janela da Azevia e tirou-lhe o recheio.
Moral da conversa: Nunca te armes em Popia quando a tua Azevia tem recheio.
A conversa de hoje é muito a ver com nada. E de quem nada falo, nada entenderá do nada que for dito. Portanto dito isto, não digo mais nada. Lol pronto isto teve que sair. Vamos ao que interessa:
Pia, Popia, assim se chamava um jovem bolo alentejano que passava os seus tristes dias a rolar preocupado com as azevias de grão (o seu bolo de eleição). Circulava certo dia pela rua da minha tia, quando viu que podia, mesmo com a luz do dia, dar uma trinca na Azevia, estou a falar do bolo folhado, o mau da fita, que ninguém acredita, mandou fazer uma pita ao monhé ali do lado. Este bolo amarfanhado, de ar cheio e enfadado passava com frequência na rua de vossa excelência a Dona Azevia, e sempre que a via, de noite ou de dia, ficava que nem podia, de olho arregalado. O Popia desconfiado, ficou por ali plantado, com um ar aparvalhado e já um pouco cansado de estar mal sentado, quando viu passar o folhado, a Azevia à janela acendia uma vela, pró mau olhado do folhado que com maldade e um pouco de vaidade proferia ao meio-dia: - um dia destes vou-te comer. E a azevia com medo, ou talvez assustada escondia-se debaixo da almofada. Pouco discreto o folhado com a Popia ali ao lado, deixou passar o palavrão. O Popia revoltado pregou com a sua cadeira nas trombas do ordinarão. - Toma lá que já almoçaste ò alarve.
Responde o folhado - E ainda janto no Algarve.
Popia - Goza lá meu animal, que um dia te darás mal.
O Folhado ainda fofo levantou-se de novo e em vez de comer a Popia de punho fechado. Saltou há janela da Azevia e tirou-lhe o recheio.
Moral da conversa: Nunca te armes em Popia quando a tua Azevia tem recheio.
sábado, setembro 23, 2006
Dicotomia preocupante.
É sempre um assunto da actualidade falar da dicotomia entre a sandália e o mocassim da Cidália.
A sandália era aberta, sempre arejada das ideias e podemos dizer que era "fresca", era. Já o mocassim era matarruano, provinciano e um pouco suado. Numa palavra: era-estranho-a-valer.
Personificando estas personagens em "personas" escolhi para o papel de sandália a Marche o pró papel de mocassim, o puto Ronaldo. Esta história é no seguimento da discussão que os fez começar a namorar, ou a trocar brioches com manteiga (aqueles do pequeno almoço).
A sandália circulava na quinta grande, ali em Alfragide isto porque se dirigia ao I-quê-há para comprar uns puffs prá sala. Quando passou por uma horta, parou para admirar as couves e as belas flores que a batateira tem. Compenetrada em perceber se era batata doce ou normal não reparou que atrás dela um provinciano mocassim se aproximava. Vinha com um regador de lata, vinha lesto e corcovado, na outra mão trazia um cajado. Ela sentiu um forte cheiro a trabalhador e num salto para a frente mergulhou os pés num regueiro dos tomates.
Espantado com a sua destreza a evitar os tomates o mocassim replicou: - Cômo te châmas dâma sandália?
A sandália meio enojada respondeu atordoada: - Falha-me a memória agora, vou sair daqui pra fora.
O mocassim inocente, mas com ar de boa gente replicou imediatamente: - Sou um prodígio na horticultura, tenho tomates de grande envergadura, e uma fama que perdura. Abri um franchise de hortas lá no estrangeiro e agora tenho muito dinheiro.
A sandália nada interesseira deixou-se ficar ali a falar: - Pois eu, adoro saloios suados, com tomates já premiados mesmo que tenham os mocassins furados. Queres ir à bica? Ou vamos cear?
Mocassim muito inspirado disse a falar pró lado: - Não vamos à bica não! Vamos ver a alface a crescer, dá-me daí a mão que já me ponho a mexer.
A sandália fácil, fácil foi sem olhar pra trás, puxou-o pra trás de um rabanete e zás.
Daí a uma semana os jornais não se calavam. Era o parzinho do ano, tão lindos que cansavam. Mas não pôde durar pra sempre, porque uma soquete espanhola saiu da terriola e armou o bailarico. Os jornais fizeram filmes, fizeram assunto e tudo sem crimes. A espanhola queria o mocassim, só pra ela hã.
Tantos nomes se chamaram as miúdas em nome do amor, tanto que até dá dor. Mas não era o amor que dava alento, e o puto atento disse: não é senão o dinheiro e a sua cor.
Triste com o sucedido, o mocassim fugido encontrou melhores paragens longe da sandália que em tom de represália comprou vivendas e fazendas, casas e propriedades. Tudo para sustentar as vaidades. Ela fartou-se rapidamente, acabou a fonte da fama, colheu o mocassim pela rama, fez-lhe a cama e armou-lhe uma trama.
;-) Aos que podem estar surpreendidos com este desenlace, que o mal entendido se disfarce com um: daqui lavo as minhas mãos sobre o que o meu alter-ego disse sem o meu aval.
A sandália era aberta, sempre arejada das ideias e podemos dizer que era "fresca", era. Já o mocassim era matarruano, provinciano e um pouco suado. Numa palavra: era-estranho-a-valer.
Personificando estas personagens em "personas" escolhi para o papel de sandália a Marche o pró papel de mocassim, o puto Ronaldo. Esta história é no seguimento da discussão que os fez começar a namorar, ou a trocar brioches com manteiga (aqueles do pequeno almoço).
A sandália circulava na quinta grande, ali em Alfragide isto porque se dirigia ao I-quê-há para comprar uns puffs prá sala. Quando passou por uma horta, parou para admirar as couves e as belas flores que a batateira tem. Compenetrada em perceber se era batata doce ou normal não reparou que atrás dela um provinciano mocassim se aproximava. Vinha com um regador de lata, vinha lesto e corcovado, na outra mão trazia um cajado. Ela sentiu um forte cheiro a trabalhador e num salto para a frente mergulhou os pés num regueiro dos tomates.
Espantado com a sua destreza a evitar os tomates o mocassim replicou: - Cômo te châmas dâma sandália?
A sandália meio enojada respondeu atordoada: - Falha-me a memória agora, vou sair daqui pra fora.
O mocassim inocente, mas com ar de boa gente replicou imediatamente: - Sou um prodígio na horticultura, tenho tomates de grande envergadura, e uma fama que perdura. Abri um franchise de hortas lá no estrangeiro e agora tenho muito dinheiro.
A sandália nada interesseira deixou-se ficar ali a falar: - Pois eu, adoro saloios suados, com tomates já premiados mesmo que tenham os mocassins furados. Queres ir à bica? Ou vamos cear?
Mocassim muito inspirado disse a falar pró lado: - Não vamos à bica não! Vamos ver a alface a crescer, dá-me daí a mão que já me ponho a mexer.
A sandália fácil, fácil foi sem olhar pra trás, puxou-o pra trás de um rabanete e zás.
Daí a uma semana os jornais não se calavam. Era o parzinho do ano, tão lindos que cansavam. Mas não pôde durar pra sempre, porque uma soquete espanhola saiu da terriola e armou o bailarico. Os jornais fizeram filmes, fizeram assunto e tudo sem crimes. A espanhola queria o mocassim, só pra ela hã.
Tantos nomes se chamaram as miúdas em nome do amor, tanto que até dá dor. Mas não era o amor que dava alento, e o puto atento disse: não é senão o dinheiro e a sua cor.
Triste com o sucedido, o mocassim fugido encontrou melhores paragens longe da sandália que em tom de represália comprou vivendas e fazendas, casas e propriedades. Tudo para sustentar as vaidades. Ela fartou-se rapidamente, acabou a fonte da fama, colheu o mocassim pela rama, fez-lhe a cama e armou-lhe uma trama.
;-) Aos que podem estar surpreendidos com este desenlace, que o mal entendido se disfarce com um: daqui lavo as minhas mãos sobre o que o meu alter-ego disse sem o meu aval.
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