Segunda-feira, Setembro 29, 2008

Breathless

Findas as folgas, volta-se ao trabalho pela manhã. Pelas nove esperam que estejamos novamente na vida sedentária que levamos de uma forma tão sôfrega que não há tempo para apreciar os momentos que estamos com quem gostamos, os sorrisos que nos mostram, os que mostramos. Falta por vezes, ar puro para respirar. Sucedem-se os suspiros de impaciência, a mente divaga para lugares onde seria fácil viver e estar. Perde-se o pensamento e fazem-se planos secretos, levamos connosco uma outra pessoa, aquela que nos faz sentir especial. Toda a vida desde o dia em que nos recai sobre a pele a tal consciência social de que fazemos parte da considerada população activa, que se acumula essa vontade de gritar, de explodir, de se desresponsabilizar. E por muita falta que nos faça imaginar e voar, fugir daquele recibo de vencimento que nos persegue com os descontos para a tão esperada reforma desta vida sem descanso. Paro uns momentos para imaginar um cenário diferente daquilo que seria a minha vida ideal:

Segunda-feira de manhã, não é certo que acorde bem-disposto hoje, pois o telefone não pára de tocar faz umas horas. Necessitam da minha ajuda em todo o lado. Tenho que pôr-me a caminho. O barco não espera. Meia volta na cama, quero ficar mais um bocadinho aqui no quentinho. Toca novamente o telefone: - Onde estás? Já estamos há tua espera faz tempo. Olha que perdes o barco. Salta da cama, anda! - Ok! Ok! - Respondo convicto que agora é que me ia mesmo pôr a pé.
Salto da cama para o chuveiro, visto-me num ápice, nem passo o pente, como é hábito (dentro do arrumadinho temos que ser um pouco rebeldes). Corro para o barco, que parece um bocado turvo, consigo vislumbrar duas riscas de cores distintas, mas não as consigo distinguir. Chego perto, muito perto quase a cair à água e finalmente as distingo: estou na margem sul a apanhar um cacilheiro.

Ar, ar que me falta o ar.

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